CULTURA

''Favela de Barro – Instáveis Moradias em Queda'', da Esquadrilha Marginália, leva poética das periferias ao palco do Sesc Rio Preto

''Favela de Barro – Instáveis Moradias em Queda'', da Esquadrilha Marginália, leva poética das periferias ao palco do Sesc Rio Preto
Grupo de teatro de Cubatão apresenta espetáculo que mistura poesia, denúncia e experimentação cênica para tensionar as formas tradicionais do teatro
📸 Noelia Nájera

"Minha avó disse mangue preto também água..." É a partir dessa imagem poética, enraizada nos territórios de manguezal e nas memórias da Baixada Santista, que nasce "Favela de Barro – Instáveis Moradias em Queda", novo espetáculo da Esquadrilha Marginália, que será apresentado no dia 23, sábado, às 20h, no teatro do Sesc Rio Preto. O coletivo teatral de Cubatão formado por jovens artistas da periferia, criado em 2016, desenvolve uma pesquisa contínua sobre linguagem popular, estética periférica e o território como fonte dramatúrgica.

Na obra, a favela deixa de ser apenas tema para se tornar corpo vivo da cena. Em um percurso cênico dividido em quatro capítulos, o espetáculo articula poesia, música, performance e teatro físico para investigar a formação das favelas brasileiras, desde processos históricos de desapropriação até as heranças étnico-culturais que moldam o cotidiano urbano.

A encenação propõe uma experiência imersiva: barro, água e sonoridades da periferia compõem o espaço, convidando o público a atravessar sensorialmente esse território. Inspirado nas palafitas típicas do litoral paulista, o cenário reafirma a relação entre ambiente, memória e existência.

 "Favela de Barro" se apresenta como uma voz que coloca em evidência corpos que não representam a favela, são a favela. A dramaturgia, assinada por JùpïRã Transeunte em processo colaborativo, costura ancestralidade, denúncia social e poesia em uma linguagem que desafia as convenções teatrais.

Com direção de Sander Newton, o espetáculo dialoga com o que o grupo define como um "teatro pós-épico": uma criação que parte das realidades vividas por seus artistas e transforma o território em protagonista da cena.

Entre brincadeiras de infância, bailes, relações familiares e a ausência histórica do Estado, a montagem constrói um mosaico de vivências periféricas, ao mesmo tempo em que questiona o apagamento das populações que ergueram as cidades brasileiras.

Indicado ao 36º Prêmio Shell de Teatro, um dos mais relevantes do país, o trabalho reforça a força artística que emerge das quebradas e se projeta no cenário nacional.

Ficha Técnica

Idealização: Esquadrilha Marginália

Direção: Sander Newton

Dramaturgia: JùpïRã Transeunte (processo colaborativo)

Direção de movimento: Castilho

Elenco: Jezuz Pereira, Julia Victor, JùpïRã Transeunte, Luiz Guilherme, Michel do Carmo e Rafael Almeida

Técnico de Palco: Michel do Carmo

DJ / Produção Musical: Breno Garcia (Groovy)

Desenho de Luz: Babi Sabino e Rafael Almeida

Operação de Luz: Babi Sabino e Larissa Siqueira

Operação de Som: Antônio Caio

Cenografia: Jezuz Pereira

Cenotécnico: Josué Salvino

Assistência de Cenografia: JùpïRã Transeunte

Figurino: Amelia Maria e Júlia Victor

Assistência de Figurino: Luana Laciny e Laura Braga

Composição (Canção das Águas): Jezuz Pereira

Produção: Jack (Corpo Rastreado), JùpïRã Transeunte e Jezuz Pereira

Social Media: Michel do Carmo

Serviço: - Espetáculo FAVELA DE BARRO - INSTÁVEIS MORADIAS EM QUEDA

Com Esquadrilha Marginália

Direção: Sander Newton

Da planta espinhenta à lugar de muitos povos, a favela é a raiz que alimenta o espetáculo da Esquadrilha Marginália. No ato movido pelos elementos em 4 capítulos com seus versos, as múltiplas linguagens são ferramentas de construção coletiva da peça teatral que também busca tensionar as noções tradicionais do Teatro.

Dia 23. Sábado, 20h. Teatro. R$16,00 (Credencial Plena), R$25,00 (Meia-entrada), R$50,00 (Inteira). Ingressos disponíveis no APP Credencial Sesc SP e bilheteria física. Lugares limitados. 

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