O Sesc Rio Preto recebeu na tarde de sábado (dia 29), a leitura encenada de A menina que queria segurar o canto. A atividade, conduzida pelo Coletivo SINA, aconteceu às 16h, ao ar livre, na área externa da Comedoria, no gramado do Sesc.
Com direção de Leonardo Lisboa e dramaturgia de João Vitor Boni, a apresentação trouxe ao público os primeiros passos da montagem, a leitura do texto e o início da encenação, em um formato de contação que convidou as crianças a acompanhar de perto o nascimento de uma história ainda em construção.
Misturando contação de histórias e teatro, a peça acompanha Bel, uma menina que, ao tentar prender o canto de um pássaro, é levada a repensar sua relação com a liberdade, a natureza e a memória, evidenciando o que significa realmente cuidar de algo sem aprisioná-lo.
A personagem Bel ganhou vida na interpretação de Nina Galvão, que conduziu a contação e estabeleceu a relação entre a narrativa e as crianças presentes. “Dar vida à Bel nesse primeiro momento do processo é também descobrir quem é essa menina junto com o público, acho bonito poder construir essa personagem a partir dessas perguntas e deixar que cada criança também encontre seus próprios sentidos na história”, conta Nina Galvão.
Para Mabel Louíze, o trabalho representa uma nova etapa na pesquisa do grupo, que, depois de “Joana e o Pé de Batata-Doce”, volta a se dedicar à criação para o público infantil. “Esse novo projeto surge como uma nova oportunidade de investigar o teatro para crianças e também outras formas de contar uma história. Estamos interessados em entender como esse universo pode ser construído junto com o público e como o processo de criação também pode fazer parte da experiência de quem assiste”, afirma Mabel.
A montagem marca ainda a primeira experiência de Leonardo Lisboa na direção de um espetáculo voltado ao público infantil. Para o diretor, a abertura do processo permite apresentar uma obra que ainda está em construção e, ao mesmo tempo, experimentar outras possibilidades de relação com a plateia.
“Encenar para as infâncias é um grande desafio, porque, como indivíduo estou distante da idade de quem recebe essa contação. Ao mesmo tempo, esse processo me convida a reencontrar o garoto que um dia assistiu à sua primeira peça de teatro e pensar sobre o que fazia aquele menino se encantar e se envolver com uma história. Dirigir essa contação é, de certa forma, reconhecer que o diretor que sou hoje só é possível porque, um dia, existiu uma criança que se encantou pelo teatro”, explica Lisboa, que é mestrando do Programa de Pós-Graduação em Artes da Cena (PPGAC) pela Unicamp, graduado no Bacharelado de Artes Cênicas pela Unicamp (2024) e formado no técnico em Artes Dramáticas pelo Conservatório Carlos Gomes (2017).
Segundo João Vitor Boni, que assina a dramaturgia da obra, a abertura do processo ao público possibilita uma aproximação com a criação e uma escuta sobre os caminhos que a montagem pode tomar. “Não apresentamos uma obra fechada, mas compartilhamos justamente esse momento de descoberta, entendendo o que acontece quando texto, atriz, espaço e público começam a se encontrar”, afirma.


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